Indústria Química: Excesso de oferta prejudica indústria local
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Matéria Revista Química e Derivados (março de 2026)
A maré continua baixa para o setor químico e petroquímico. O excesso de capacidades produtivas em operação em todo o mundo mantém reduzidos os preços dos produtos químicos e resinas sintéticas, pressionando margens e tingindo de vermelho os balanços da indústria local e em todo o mundo.

Esse fenômeno se verifica em muitas outras indústrias e conduz a mudanças que apontam para políticas cada vez mais protecionistas, tirando a força de um sistema de comércio livre, ou quase, com mais de 20 anos de operação global.
A boa notícia é que surgem os primeiros sinais de alívio.
A China orientou seus produtores a recuperar margens, via aumento gradual de preços. Segundo especialistas, isso dará um alívio, mas ainda não afastará o problema do excesso de produtos no mercado.
O consultor Pablo Giorgi, da Opis (Dow Jones), aponta que continuam entrando no mercado novas plantas petroquímicas nos Estados Unidos e na China, principalmente de polietilenos, mas também, no caso chinês, de polipropileno e estireno, aproveitando correntes de refino de petróleo.
Giorgi aconselha a observar de perto o caso chinês antes de se afirmar que os produtores de lá têm prejuízo ao operar com preços tão baixos de venda.
“Isso é relativo, há empresas privadas e estatais, estas são totalmente integradas ao refino de petróleo e usam a própria nafta gerada no processo em 85% da alimentação petroquímica; como a margem do refino era alta, isso subsidiava a nafta”, explicou. Porém, ele informou que as margens de refino caíram a partir dos últimos meses de 2025 e devem continuar baixas em 2026. “Isso vai exigir aumento de margens a jusante, ou seja, o preço dos produtos petroquímicos poderá ser aumentado em aproximadamente 10%, dando um pequeno alívio no mercado global.”
A tendência geral era de queda nas cotações do petróleo em 2026, apontando para menos de US$ 64/barril do óleo de referência (Brent). Isso reduziria a vantagem dos produtos derivados de gás natural, notadamente dos EUA, com seu shale gas.
“A China já consegue ser competitiva na Costa Oeste da América Latina”, informou. A Rússia, sob embargo dos países ocidentais, segue suprindo as refinarias chinesas com petróleo com descontos. Porém, a guerra do Irã, iniciada em março, alterou esse cenário, catapultando o barril do Brent para a faixa dos US$ 100, sem indicação de um prazo de reacomodação. “A China também compra muito petróleo no mercado global, a Rússia é apenas um fornecedor complementar”, salientou Giorgi.
No caso dos produtos refinados, a pressão é crescente. “As refinarias no mundo começaram o ano com margens mais apertadas, o spread de gasolina era praticamente zero em relação ao Brent e o diesel chegou perto disso; há capacidade de refino sobrando e a demanda chinesa não está crescendo tanto, eles estão usando alternativas, como veículos elétricos e até caminhões movidos a GLP, com emissões muito menores que os motores diesel”, comentou. Em janeiro, ele avaliou o spread da gasolina sobre o Brent em US$ 4/barril nos EUA; zero na Europa e US$ 0,50/barril na Ásia.




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