1º leilão de gás natural da União destinou 350 mil m³/dia ao setor químico e petroquímico

O primeiro Leilão de Gás Natural da União, realizado nesta quinta-feira (22) pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), destinou 480 mil m³/dia aos setores químico, petroquímico e de fertilizantes nitrogenados, o equivalente a cerca de 44% do volume total ofertado, de 1,1 milhão de m³/dia. O resultado representa um avanço na agenda de ampliação do acesso da indústria ao gás natural a preços competitivos, defendida pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
A destinação prioritária de gás para esses segmentos foi resultado de pleito da Abiquim junto ao Ministério de Minas e Energia (MME), considerando a relevância dessas cadeias para a economia nacional e a importância do insumo para sua competitividade.
Para André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, o certame representa o primeiro avanço prático na ampliação da oferta de curto prazo do gás do Pré-Sal e na implementação de um dos eixos prioritários do Programa Gás para Empregar. Criado pelo Governo Federal em março de 2023, o programa busca ampliar a oferta e o aproveitamento do insumo, reduzindo sua reinjeção nos poços e priorizando seu direcionamento a setores estratégicos, como a indústria química e a produção de fertilizantes.
“Esse resultado é fruto de três anos de debates e de construção técnica e econômica coordenados pela Abiquim, com o propósito de transformar o gás natural em um fator de competitividade para a indústria brasileira.”
A indústria química é a maior consumidora de gás natural entre os segmentos industriais brasileiros e tem uma particularidade: utiliza o insumo tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima para a fabricação de produtos químicos. Em 2025, seu consumo se aproximou de 7,1 milhões de metros cúbicos por dia, equivalente a cerca de um quarto do consumo industrial nacional, segundo dados reunidos pela Abiquim.
No leilão, os setores químico e petroquímico contrataram o total de 350 mil m³/dia, distribuídos entre as empresas Braskem, Rhodia, Evonik, Ingredion e Peróxidos do Brasil. Outros 130 mil m³/dia foram destinados ao segmento de fertilizantes nitrogenados, com aquisições pelas empresas Yara Fertilizantes e Multitécnica Industrial. Somados, os dois grupos receberam cerca de 44% do volume ofertado.
Na prática, o preço médio de comercialização do gás no leilão foi de US$ 5,16 por milhão de BTU, ante um valor de aproximadamente US$ 10 por milhão de BTU praticado atualmente, sem considerar os custos de transporte e distribuição.
Para Gustavo Checcucci, Diretor de Energia e Descarbonização Industrial da Braskem, o leilão demonstra como o gás do Pré-Sal pode contribuir para a competitividade da indústria brasileira. “A Braskem, uma das compradoras do leilão, vê nessa iniciativa um avanço importante na diversificação do suprimento e na busca por custos mais competitivos. Fundamental reconhecer o apoio da Abiquim na construção dessa agenda e defesa da indústria química.”
Transporte e distribuição são os próximos desafios
“Este leilão é um passo importante, mas precisamos garantir que o benefício alcançado na comercialização da molécula chegue efetivamente à indústria. Agora, transportadoras e distribuidoras também precisam contribuir para a redução dos custos, com tarifas que permitam aproveitar o gás natural a preços competitivos”, destaca André Passos Cordeiro.




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